alex atala
apimentado, no ruivo dos cabelos e no temperamento sem papas na língua, herdados lá do lado irlandês da família. O outro lado dessa masculinidade indócil é o homem cordial que surge no salão para saber se os clientes estão satisfeitos. “Eu me sinto o Mickey Mouse. Todo mundo vai à DisneyWorld para ver o Mickey, e aqui exigem minha presença a toda hora, tenho de cumprimentar quem está em cada mesa”, constata.
Ser o Mickey nem sempre é bico. Como o dia em que um político ultimamente em baixa entrou na cozinha (no D.O.M., ela é aberta ao público, como um aquário) e arrastou um constrangido Alex para dar um alô para
 
seus amigos na mesa. A moça da mesa ao lado chamou o restaurateur também e sussurrou no seu ouvido: “Você só fala com corruptos?” São muitos os que se sentem preteridos se não ganharem um alozinho do chef. Às vezes também alguma moça mais desinibida fica esperando para elogiá-lo. “Isso é raro, fico na minha, não dou chance”, desconversa Alex, casado pela segunda vez, três filhos.
De todo modo, ele está disposto a sorrir e acenar para a clientela, que paga bem. Comer a papa-fina do D.O.M. custa, em média, R$ 150 por pessoa, jantar completo, sem contar as bebidas. “Só uso os melhores ingredientes, é
 
tudo fresco, não tenho nem freezer”, justifica. Os amigos da fase das vacas magras não vão lá, mas até bem pouco tempo podiam ir ao Namesa, um restaurantezinho charmoso onde Alex exercitava o que chama de “comida bacana a um preço razoável”. Vendeu o Namesa, diz, por falta de tempo para tocar dois negócios. “Passo 15 horas por dia em função do D.O.M. e aqui faço o que realmente gosto: a arte de aprender a realçar o melhor de cada ingrediente.” Para não fugir da realidade, há arroz com feijão no almoço do D.O.M. “Custa R$ 30, deve ser o arroz com feijão mais caro do planeta, mas quem prova sabe por quê”, diz ele, rindo.
 
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