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escuros pudesse brotar tanta verdade, tanta maravilha. Depois Ruth descobriu uma tal Biblioteca Circulante lá na Praça Dom José Gaspar e aí, para compensar esses basbaques que compram livro por metro, começou a ler tudo também por metro, estante por estante. Leu, centímetro por centímetro, toda a poesia brasileira, Olavo Bilac, Guilherme de Almeida e até um certo Cleômenes Campos. Sim, Ruth Rocha leu Cleômenes Campos. Mas seu amor de perdição pela literatura começou com As Cidades e as Serras, de Eça de Queirós, que foi obrigada a ler para um trabalho na escola.
Gestações
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Repararam que quem tem muito que dizer costuma ficar um bom tempo quieto? Mesmo luminares Jesus, Maomé, Buda nalgum deserto se esconderam antes das muitas revoluções que vieram a aprontar depois. Mal comparando, com Ruth foi parecido. Formada em Ciências Sociais e já casada com Eduardo Rocha, ficou 15 anos como
orientadora educacional do Colégio Rio Branco, sem praticamente escrever. De olho vivo na molecada, mas sem literatura. E mesmo p fassim, quando começou, foi meio na marra. Seriamente desconfiada do talento da amiga, um dia, em 1969, Sonia Robato, diretora da histórica revista |
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trancou Recreio, Ruth numa sala e disse só sai com uma história. Ruth saiu com a história de duas borboletas, Romeu e Julieta, onde respondia uma pergunta da filha Mariana: Por que negro é pobre? Foi um sucesso, mas seu primeiro livro-solo, Palavras, Muitas Palavras, só veio a acontecer em 1976.
Voações
Mas daí pra frente, como é que vamos dizer? Ruth transbordou. Desembestou. Exuberou-se toda. Fez como A Menina que Aprendeu a Voar, uma de suas mais lindas histórias. Se soltou. De 1977 a 1988 foram 67 livros publicados, tão espreitada de causos vivia e não sabia. E isso trabalhando sempre. |
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