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Mitológica também, mas de mito caipira, tropical, cheio das malemolências. Para espanto dos gringos, é fruta que dá direto no galho, no tronco e até nas raízes. Para desespero dos apressados, fica mais de dez anos sem dar nada e aí, fagueira, impera e exubera pelos séculos afora. Para incômodo dos comerciantes, é fruta de família que se chupa durinha no pé; na feira chega meio mole e bobona: chupada, nem faz ploc. E ploc, em jabuticaba, é fundamental.
Como as cerejeiras do Japão, tem lá a sua efemeridade. Em 40 dias vai da floração ao |
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fruto, em cinco ou sete a fruta perde o vigor, o p fploc. Uma vez colhida, de um dia não passa.
Mas duráveis são suas outras serventias. Com ela se faz uma farofa doce para rechear frango, um caldo grosso para alegrar pamonha de milho, sem falar da geléia e do licorzinho. Passado o seu tempo, dado o seu fruto, discretamente a árvore troca de roupa, a casca toda, que esconde manhas que nem biólogos explicam.
Dependendo da região e das chuvas, pode-se dizer que reina de julho a outubro. É |
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nativa do Brasil, mas é ali pelo Sudeste que se revela primeira-dama absoluta nos quintais do interior. Mas Silvestre Silva, mineiro de Piedade do Paraopeba, o grande e onipresente fotógrafo das frutas brasileiras, conta que surpreendeu jabuticaba pelo Brasil afora. Sabe inclusive de um sítio do Vale do Paraíba onde impera a rara jabuticaba branca. Em Minas, o fervor pela jabuticaba é tanto que famílias urbanas saem a passear pela região de Sabará, por exemplo, e alugam, por aquela tarde, um pé de jabuticabeira bem carregado.
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