AGRICULTURA BRASILEIRA
mundiais da soja”.
E Mr. Kirkpatrick, por pudor, não falava do subsídio, esse dinheirinho a mais que o governo americano distribui a seus agricultores, em nome da política agrícola do país. Do ponto de vista do brasileiro, não havia como refutar. Soja no Brasil só havia do Paraná para baixo (zona de frio) e as sementes eram todas americanas, quer dizer, impróprias para o Brasilzão daqui pra cima, os então chamados “tristes trópicos”.
Deixando de lado a Floresta Amazônica (que deve mesmo ficar fora de qualquer idéia de agricultura) e o Nordeste (que tem uma condição especial), nossa maior
 
porção de terra, de São Paulo para cima, é o cerrado, o qual, na década de 60, só produzia calango e arranha-gato. Uma ou outra mangaba, um pouco de piqui pra fazer licor, uma safrinha ou outra de caju de campo – nada que fizesse subir o dólar.
De Uberaba pra diante já era questão de caçar onça – justamente o que eu estava fazendo na Fazenda Mutum. Bicho de pêlo e de pena achamos muito, mas, em verdade, não vimos a gata por falta de cachorro-mestre. O dono da Fazendap fMutum – algo como 160 mil hectares de campo e quiçaça nas duas margens do Arinos – José Aparecido Ribeiro, tinha
 
oferecido a terra pra gente caçar justamente porque, logo em seguida, começaria a “abrir fazenda”, quer dizer, ia preparar a terra para plantar.
Plantar?! Plantar o que nesse mundão largado? Plantar capim para criar gado, mas, também, soja, arroz, milho, algodão. “Vai quebrar!” A idéia era que o cerrado resultava improdutivo por causa da aridez do solo, o que impedia as plantas de vicejar.
Mas esse Zé Aparecido era tinhoso. Achava que algum jeito se acabaria dando, para aproveitar as condições que a natureza ali oferecia: 1. terras planas, abundantes e baratas, favorecendo a
 
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