Get fit to be healthy
por: Denise Mirás
ilustra Eduardo Asta
As pessoas já fizeram exercÍcios para ficar fortes e porque é bom para o coração. agora, querem evitar derrame, diabetes, câncer...
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Houve um tempo em que as pessoas faziam atividades físicas (musculação, por exemplo) para ficar “mais fortes”. Depois, passaram a correr em parques e a freqüentar academias porque era bom para o coração. “Agora, os estudos estão chegando ao sistema neurológico central, ao sistema imunológico, ligado às causas de doenças”, conta o dr. Victor Matsudo, médico ortopedista que trabalha com ciências do esporte no Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul. A meta é envelhecer com mais qualidade de vida, evitando as cinco principais doenças crônicas não-transmissíveis que afetam a população mundial: complicações cardiovasculares, derrame, diabetes tipo 2, câncer de mama e de cólon.
Um estudo com 20 mil ex-alunos da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, mostrou que 54% do risco de morte por enfarte do miocárdio dependia do estilo de vida, assim como 50% do risco de derrame cerebral e 37% do de câncer. Só no Brasil, morrem cerca de 300 mil pessoas por ano de doenças cardiovasculares – uma morte a cada dois minutos. A atividade física regular é comprovadamente eficiente para diminuir o risco de aparecimento dessas doenças, ainda mais com o passar da idade.
No aspecto mental, os exercícios físicos ajudam a quebrar o isolamento social, melhoram a auto-estima, a auto-imagem e o bem-estar, e aliviam o stress (a taxa de suicídio é duas vezes maior nas pessoas inativas). Em termos fisiológicos, contribuem para o controle de peso, do colesterol e do triglicérides, para a diminuição da pressão arterial e para a melhora da resistência, força muscular e mobilidade das articulações. Com isso, a autonomia de vida do indivíduo se prolonga por mais tempo.
Mulheres, atenção! Os efeitos da falta de atividade física são mais devastadores para elas do que para os homens: uma sedentária de 40 anos de idade equivale fisicamente a uma idosa ativa de 70.
Controlam-se o peso, o colesterol, o triglicérides... Mas o problema ainda é começar. “Preguiça, falta de companhia, de tempo ou de dinheiro e cansaço encabeçam a relação das desculpas pessoais. Falta de lugar, falta de equipamento e medo são as desculpas ambientais”, classifica o dr. Matsudo. Por isso, os cientistas estudam formas de derrubar essas justificativas. “A falta de tempo é a primeira da lista. Mas nem estamos falando para fazer uma hora seguida de atividade física. Podem ser bloquinhos de dez minutos! Então, essa já podemos tirar da lista...” Outra: “Não agüento, eu vou pifar”. É o dr. Matsudo quem lembra: “Se não dá para correr, dá para caminhar. Se não dá para saltar, dá para dançar. O esforço pode começar pelo moderado”. Falta de tempo e de espaço? Então, os exercícios podem ser no tempo livre em casa ou no trabalho, na ida ou na volta, em ruas ou parques.
“Os mais sinceros já dizem que é preguiça mesmo. Que estão cansados de tanto trabalhar. Mas, mesmo cansados, não é preciso ficar horas em frente à TV, não é?”, contesta Victor Matsudo. “Queremos criar motivação, mexendo com a cultura, o clima social. Antes, quem passeava com o lulu era dondoca. Hoje, tem muita gente saindo com o cachorro, fazendo amigos...” Lavar o carro, cuidar do jardim e estacionar mais longe para chegar ao trabalho são outras formas de exercício “disfarçado”.