Agenda do centenário

por André Cid
fotos: Gabriel Boieras

Campina Grande/PB e Caruaru/PE são as principais, mas em junho outras cidades do norte e nordeste também comemoram São João

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Em 2007, o francês Richard Galliano e o brasileiro Domingui­nhos, dois mestres do acordeão, se reuniram pela primeira vez na festa de São João de Campina Grande, na Paraíba. O encontro foi promovido por um documentário chamado Paraíba, Meu Amor, do suíço Bernard Robert-Charrue. Lançado em janeiro na Alemanha, o filme sobre forró, tradicional ritmo do Nordeste, não poderia ter acertado mais ao escolher seu cenário. Ao lado de Caruaru, em Pernambuco, Campina Grande é dona de uma das maiores festas juninas do país. Mas há também muitas outras, espalhadas pelas regiões Nordeste e Norte do Brasil.

Só no São João de Campina Grande, que começa em 30 de maio e vai até 29 de junho, foram investidos cerca de 4,5 milhões de reais. Lá, a música toca 30 dias sem parar, embalando milhões de pessoas. A festa ocupa uma área de 80 mil metros quadrados, por onde passarão mais de 500 atrações. O Arraial Hilton Motta recebe as apresentações principais, com destaque para nomes nacionalmente conhecidos, como Dominguinhos (8/6), Fagner (23/6) e Elba Ramalho (27/6). No Arraial Luiz Gonzaga, trios de forró embalam as três Ilhas do Forró, palhoças que levam o nome de personagens importantes da cultura nordestina: Zé Bezerra, Zé Lagoa e Seu Vavá. Na véspera do dia de Santo Antônio (12 de junho), a Pirâmide Jackson do Pandeiro recebe noivos e noivas para um casamento coletivo. O espaço, amplo e coberto, abriga também o desfile de animadas quadrilhas juninas.

Já Caruaru vive seu São João de 31 de maio a 28 de junho. No ano passado, o investimento foi de 6 milhões de reais, com um retorno financeiro estimado em 10 milhões. Na edição deste ano, 200 atrações serão distribuídas pelos nove pólos de animação do Parque de Eventos Luiz Lua Gonzaga. A fim de diminuir o intervalo entre os shows, também encabeçados por Zé Ra­malho (21/6), Dominguinhos (22/6) e Elba Ramalho (26/6), foram montados dois palcos no Pátio do Forró. Apelidos sugestivos marcam as irreverentes quadrilhas. Mulheres se vestem de homem na “Sapadrilha”, homens viram mulher na “Gaydrilha” e todos trocam de papel na “Trokadrilha”, para dançar pelas principais ruas e avenidas da cidade. Uma das tradições da festa é a apresentação dos bacamarteiros, grupo de atiradores de es­pingardas boca-de-sino.

No Centro de Arte e Cultura Popular de Campina Grande, apre­sentam-se poe­tas, emboladores de coco e repentistas. Também vale a pena visitar a Vila Nova da Rainha, que reproduz a época em que a cidade era uma vila, e viajar para o distrito de Galante no Trem do Forró, com música ao vivo nos 75 minutos do trajeto. Quem está interessado nas delícias gastronômicas pode saborear canjica, pipoca e pamo­nha na Casa do Milho. Em Caruaru, acontecem as festas das comidas gigantes, como o maior cuscuz do mundo e a pamonha de 220 quilos, feita com 3 mil espigas de milho. A 120 quilômetros de João Pessoa, Campina Grande oferece opções de hospedagem como o Hotel Garden (Rua En­genheiro José Bezerra, 400, Mirante – tel.: 83 3310-4000). Já Caruaru, principal cidade do agreste pernambucano, tem in­fra-estrutura com restaurantes, bares, shopping center e hotéis, como o Village (BR-232, Km 129, Petrópolis – tel.: 81 3722-5544).

Fora desses dois centros, há outras festas de grande porte. Na Ba­hia, em Amargosa (18 a 24/6), Cruz das Almas (19 a 24/6) e Se­nhor do Bonfim (19 a 24/6). Em Aracaju, o Forró Ca­ju (14 a 29/6) recebe mais de 100 mil pessoas diariamente. No Norte do Brasil, os folguedos são enriquecidos pelo bumba-meu-boi, ou boi-bumbá, no Maranhão, Amazonas e Pará. A tradição é uma mistura de dança, música e teatro, cujo protago­nista é uma carcaça de boi. No Maranhão, as apresentações vão do começo de junho até o dia 30, dedicado a São Marçal. O principal festival do boi-bumbá ocorre em Parintins, no Ama­zonas, a 325 quilômetros de Manaus. Neste ano, a cidade deve receber mais de 100 mil visitantes – a mesma população do município. Prepare as pernas para o forró e o estômago para se encher de delícias: no Norte e no Nordeste bra­sileiros, São João só termina no dia 30.